Idosos são todos aqueles que já completaram sessenta ou mais aniversários, fato hoje bastante comum devido ao aumento da expectativa de vida em todos os países do mundo. Alguns se esforçaram para manter uma razoável qualidade de vida, com hábitos e costumes adequados e recomendados pelos ensinamentos que receberam. Controlam a alimentação, praticam atividades físicas e consultam médicos, mesmo quando não estão doentes, para preservar a sua boa qualidade de vida.

Outros, apesar de não adotarem as mesmas atitudes, conseguem atingir idades avançadas, alguns por terem nos seus antepassados pessoas que atingiram 90 ou mais anos, muitos sem passarem por consultórios ou clinicas, vivendo no campo em lugares isolados, sem nenhum conforto.

Já ser solidário é uma questão exclusivamente de decisão pessoal, de adesão  voluntária, de abraçar uma determinada causa com responsabilidade, assumir uma tarefa alheia aos seus interesses pessoais. Como um verdadeiro sacerdócio, um compromisso sério e permanente, exercido com  muita dedicação e entusiasmo.

Os solidários tentam melhorar o ambiente em que estão inseridos, inclusive a qualidade de vida dos seus semelhantes, sejam as pessoas com que mantém relacionamento ou outras desconhecidas, incluindo os idosos, para que voltem a ocupar o seu lugar na sociedade, com respeito, dignidade e reconhecimento que sempre fizeram por merecer ao longo de suas existências.

Solidário vem do latim, sólidus, antiga moeda de ouro maciço que significava qualidade, valor permanente, resistente durável e indiscutível, altamente valorizado e procurado por todos. Ser solidário é praticar a solidariedade, dedicar-se a melhorar o mundo, combatendo as injustiças e as desigualdades de todo o tipo. Solidário é todo aquele que partilha do sofrimento e das angústias alheias.

Segundo o Dicionário Melhoramentos: “solidariedade é condição grupal resultante da comunhão de atitudes e sentimentos, de modo a constituir o grupo amizade sólida, capaz de resistir às forças exteriores e mesmo de tornar-se ainda mais firme em face da oposição vinda de fora”.

Nada acontece por simples acaso, até os fatos mais corriqueiros, não são  coincidências, têm significado e podem ser entendidos como desafios com os quais deparamos em nosso dia a dia. São caminhos abertos, pistas que podemos interpretar da maneira mais variada. Durante nossa breve passagem pela terra estamos sendo permanentemente bombardeados com tudo o que acontece ao nosso redor.

São verdadeiras encruzilhadas onde a opção é inteiramente nossa: não tomar conhecimento ou nos comprometermos. Muitos preferem ignorar os desafios, não se sentem compelidos a tomar uma atitude, adotar algum comportamento, frente a uma determinada situação.

Acham que já têm problemas demais para se ocupar e se preocupar. Acomodados, passivos, colocam a culpa nos governos, na sociedade, nos outros e preferem não sair da comodidade e da tranqüilidade que usufruem, conquistadas após longos anos de luta e sacrifícios. São os espectadores passivos que preferem não tomar parte ativa no espetáculo da vida.

Outros porém não só aceitam como procuram os desafios. São os guerreiros, os inconformados, os insatisfeitos, os lutadores que não se deixam dominar por uma atitude de pura expectativa e passividade. São dois caminhos opostos: um largo, fácil e mais atraente e outro difícil, estreito e cheio de obstáculos. Ou um ou outro. Aqui não existe a famosa coluna do meio

O Movimento Idosos Solidários, congregando centenas de grupos de idosos da capital na luta pelo reconhecimento dos seus direitos, deparou-se com uma situação particularmente delicada: o drama de muitas famílias que tinham um idoso acamado permanentemente.

Um grande desafio pela frente para ser ignorado ou enfrentado? Uma encruzilhada e dois caminhos à frente. Será que valeria a pena tentar resolver tal problema? Para as famílias tratava-se de uma grande complicação, um fato novo, abrupto, para o qual ela nunca esteve absolutamente preparada. Surgiu de repente e ninguém contava ou estava preparado para isso. A primeira reação, de surpresa e revolta, logo seguida pela perplexidade e pelo sentido de inutilidade, de falta completa de condições de enfrentar as conseqüências que resultariam para todos os seus membros.

Como agir nessa situação inesperada, difícil e traumatizante? A quem recorrer, como pedir ajuda, onde, como? De que maneira os diversos membros da família e da comunidade poderiam colaborar? Será que existiriam serviços públicos devidamente capacitados para uma assistência domiciliar eficaz?

Escolhemos o caminho mais difícil e começamos uma busca em diversos setores: secretarias de saúde, assistência social, hospitais, faculdades e universidades, pastorais de saúde, entidades beneficentes e similares. A pesquisa demorou mais do que o esperado, porém acabou dando resultado, algumas poucas organizações trabalhavam nesse segmento e se mostraram receptivas às nossas indagações e à `procura de respostas e soluções.

Entramos em entendimentos com o Hospital Universitário (HU) da Universidade de São Paulo e conseguimos fazer uma parceria com a indispensável cobertura financeira da Apsen Farmacêutica. O vídeo foi detalhadamente planejado, com roteiro debatido em incontáveis reuniões com a equipe do PAD – Programa de Assistência Domiciliária do HU.

Após quase um ano os estudos, o roteiro, as diversas tomadas e respectivas falas, a montagem e edição, o vídeo finalmente ficou pronto. Ele foi elaborado propositadamente em uma linguagem fácil e acessivel por ser dirigido principalmente para leigos e as filmagens foram todas nas próprias casas dos idosos assistidos pelo PAD visando dar maior credibilidade e mostrando as limitações das residências e as possíveis adaptações a serem realizadas.

Membros da família, vizinhos, voluntários, acompanhantes e membros das pastorais de saúde puderam dessa forma receber orientações satisfatórias para proporcionar um bom atendimento domiciliar aos idosos com dependências graves. Os onze capítulos, com 49 minutos de duração, abordam temas que abrangem praticamente todo o universo de cuidados que devem ser prestados, explicando com detalhes cada ação, cada procedimento.

Todo trabalho tem um objetivo, uma prioridade, um alvo específico. O nosso, como não poderia deixar de ser eram os idosos permanentemente acamados. Para atingi-los contamos com uma entidade que se dispôs generosamente a colaborar e como terceiro elemento dessa equação temos o elo final, a ligação entre a retaguarda de apoio e o idoso necessitado, sem ele tudo seria inútil e sem alcançar seus objetivos.

Estamos nos referindo ao cuidador, o voluntário que enfrenta no seu dia a dia o exercício de uma tarefa difícil, delicada, estressante e angustiosa (principalmente quando se trata de pessoa de sua própria família). É a valorização do ser humano na derradeira etapa de sua existência, a despeito das perdas, das frustrações e seus dramas pessoais e familiares.

Avaliar, sentir o sofrimento alheio, as angústias de cada situação, como sofrimento e angústias próprias, colocando-se no lugar do outro, assumindo um comportamento humanitário, com compaixão e dedicação, enfim com grande paciência, tolerância e amor, principalmente o amor, o amor que é o mais comovente, profundo e maravilhoso sentimento de um ser humano, eis a síntese da atuação  do verdadeiro cuidador.

HISTÓRICO

Começamos modestamente, com 500 vídeos apenas, pois não tínhamos a mínima idéia da possível demanda. Logo aumentamos a quantidade e decorridos 2 anos, chegamos a 12.000 que foram distribuídos gratuitamente por todo o Brasil a mais de 300 entidades. Junto com o vídeo oferecemos várias sugestões de programas de cursos de formação, treinamento e suporte de cuidadores informais de idosos.

Posteriormente, começamos a fornecer também, a pedido dos interessados, dois ciclos de debates sobre envelhecimento saudável, esquemas e metodologia para constituição de redes comunitárias de apoio domiciliar, leis de criação de Secretarias Municipais do Idoso, Portaria do Ministério da Saúde criando o Serviço de Internação Domiciliar pelo SUS e outros de uma lista de dez disponíveis.

Atualmente estamos colaborando na formação de redes comunitárias de apoio domiciliar aos idosos fragilizados nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pernambuco e Rondônia.

Até o fim de 2007 entraremos em contato com as Secretarias Estaduais de Saúde e de Assistência Social de todos os estados restantes do Brasil para tentar contemplar todo o universo dos idosos brasileiros severamente incapacitados. Temos estoque suficiente de vídeos (fitas cassete VHS e DVDs) para fornecer as quantidades solicitadas. Só os Estados de Santa Catarina e São Paulo receberam mais de 1000 vídeos cada um, para cobertura completa dos seus territórios.

Vamos em busca do tempo perdido, tentando recuperar o terreno, tentando fazer o que deixou de ser feito, mesmo não sabendo e não querendo saber as razões de tal fato. Sem a cooperação desses organismos oficiais federais, estaduais e municipais, o Movimento não pode agir, não tem condições de ultrapassar as barreiras existentes, mesmo porque nós só fornecemos alguns meios, sempre contando com uma boa acolhida dos responsáveis pelos setores de saúde do idoso.

Fichas de avaliação que nos foram devolvidas já nos fornecem uma idéia aproximada do numero de idosos que estão sendo beneficiados. Só a Pastoral da Pessoa Idosa do Brasil recebeu mais de mil fitas, uma para cada diocese e paróquia de todo o Brasil, perfazendo cerca de duzentos mil idosos beneficiados.

Um calculo aproximado chega a um numero de 400.000 idosos que puderam ter uma melhor condição de vida, junto com as suas famílias. Dezenas de instituições asilares também solicitaram e receberam o vídeo, empenhadas que estão em melhorar a qualidade dos serviços prestados aos seus internados, bem como Vigilâncias Sanitárias de diversos estados que fiscalizam o funcionamento dos asilos de idosos.  

A oferta gratuita possibilita a sua utilização não só para entidades governamentais como principalmente para organizações beneficentes (asilos, lares de idosos e similares), que em grande maioria lutam com grandes dificuldades financeiras. Apenas as despesas postais correm por conta dos destinatários.

CONCLUSÃO

Decorridos dois anos de nossa luta, os frutos colhidos superaram de longe as nossas mais otimistas previsões. Recebemos parabéns e elogios de muitas autoridades e especialistas. Chegamos à conclusão que realmente valeu a pena, ter enfrentado muitos obstáculos. Também encontramos muitas pessoas de boa vontade e espirito público que nos ajudaram a chegar até onde chegamos, num grande e conjugado esforço coletivo de uma extraordinária equipe. Citar alguns nomes apenas seria cometer injustiças, o que preferimos não fazer.      

Não temos ainda estatísticas sobre o numero de idosos fragilizados no Brasil, dentre os seus 18 milhões. Supondo-se que 20% desse total sejam portadores de incapacidades ou dependências de grau elevado, chegaríamos a um total de cerca de 3 milhões de seres humanos necessitados de assistência domiciliar especializada. A grande maioria ainda não está sendo contemplada com nenhum tipo de assistência, com raríssimas e honrosas exceções de algumas instituições pontuais e isoladas.

Dentro de mais alguns anos, a atual população idosa não só aumentará em relação às demais faixas etárias como também mais idosos viverão 80 ou mais anos, idade em que aumentam geometricamente as dependências. É preciso que não só os organismos oficiais como também a sociedade como um todo se preparem, unindo forças e recursos num grande esforço inter setorial para poder atender a essa crescente demanda da forma mais satisfatória possível.

Há um aspecto que não pode ser esquecido: é imprescindível que os próprios idosos se alistem nessa empreitada, pressionando a opinião pública em busca do reconhecimento de sua dignidade de seres humanos.  Só tornando visíveis as suas demandas, saindo do seu tradicional imobilismo e da passividade, só exercendo a plena cidadania é que eles poderão construir estruturas inabaláveis e duradouras, pensando também nas gerações futuras que nos sucederão.

Nossa luta não é simplesmente pelos idosos e sim com os idosos, no pleno exercício de sua cidadania, participando ativamente como agentes da própria libertação. São cerca de 18 milhões de cidadãos que precisam se unir e juntar forças para atingir seus objetivos e poderem desfrutar junto a suas famílias, de uma vida plena, saudável e feliz, apesar de suas limitações e dificuldades.

Conclusão final: nada é impossível para aqueles que se sensibilizam com os problemas dos outros e sonham, planejam e se empenham com todo o seu afinco para conseguir atingir seus objetivos. É surpreendente como ainda tem muita gente de boa vontade, de coração aberto e disposta a colaborar em prol das boas causas. Eles trabalham em silêncio, não fazem alarde de suas boas ações e siquer esperam por qualquer recompensa material.

Acham-se muito bem gratificados e felizes de terem podido colaborar para tentar melhorar o mundo em que vivem, acabando com as injustiças, as discriminações e as exclusões de toda a ordem que infelizmente ainda persistem. Não desanimam, não têm medo de fracassar ou de serem até mal interpretados e taxados de aproveitadores. Não desistem nunca, persistem, persistem, persistem até conseguir atingir seus objetivos.

 
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